quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Uma harpa em desuso
Súbito vibra os órgãos
Do corpo de uma mulher
Como um ritual emaranhado.
Há um abuso de beleza no dia
Enquanto ela retira com as unhas
Restos de flores dos vãos dos dentes:
Seu sorriso devora flores.
A beleza do dia é inútil
Como a de um pavão
Colorido como as flores sorridas, sortidas, 
Formando um arabesco primaveresco
Na sorte do olhar que perseguir
Este caminho solar.
Ela vive próxima da natureza
Mesmo estando na cidade.
Seu sonho 
– Pois alguns sonhos também sonham –
É se transformar em um mito pagão,
Mesmo que atualizado.
Ela fez uma coroa de mirra.
Ela se mira no espelho do dia.
Ela é louca...
Louca como a felicidade,
Se existisse, seria.

Um comentário:

Pedra do Sertão disse...

Super! Passei também para desejar um Feliz 2014, já comemorando mais um ano de blog-amizade...cheiinho de imagens [poéticas] lindas e radiantes,

Abração do Pedra do Sertão

Só para não esquecer:
www.pedradosertao.blogspot.com.br