quinta-feira, 8 de março de 2018

SEM TÍTULO (ENTRE A)

Entre a
Quebra
E a versura
Há grande
Distância.
Na minha
Estância,
Diria:
Tem muita
Lonjura.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

SEM TÍTULO (NÃO PODE REFREAR)

Não pode refrear
A noite que cresce
Em seus olhos.
O arbusto.
Não pode podar.
O arbusto da noite
E outro, como outros
Ao redor dela.
Com seus olhos ao redor.
Até que se avolume
Outra noite,
Ainda mais verdadeira.
O derrame, a catarata,
A cegueira.
Que só enxerga
A noite, toda a noite,
A noite inteira.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

LUTADORA

Sem o bloqueio
Do perfume
Em seu corpo,
Perco a luta
Em um
Ground and pound
De beijos. 

terça-feira, 3 de outubro de 2017

SEM TÍTULO (O CABAÇO DO BRAÇO)

O cabaço do braço
Fricciona o hímen do olho.
Úmido, ansioso.
O lacre do ouvido,
O selo da boca,
O rótulo da narina
O dildo do dedo
Não perfura, penetra, invade,
Nem o pênis da cabeça
Consegue, momentâneo,
Uma estratégia
Que os pervada.
A cabeça do pênis se perde
Em uma espécie
De labirinto de pele,
E confunde o natural
Com o artifício:
Se rende a todo agenciamento,
Mas pervaga, perdida.
Não cumpre promessas
De localização e ação.
A boca do ânus se fecha
Em um abraço sufocado.
Não se alimenta?
Não vomita?
Um início de catarata
Improvisada
No canto do olho
Adoenta o hímen,
Acaricia sua pureza,
E uma espécie não antes sentida
De orgasmo
Extravasa calado
Na calada
Da noite, cálida
- Aberta crisálida.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

(MAIS UMA) QUADRILHA

João amava Teresa que amava João e Raimundo
que amava João e Maria que amava João e Joaquim que amava [Lili
que amava João, Teresa, Raimundo, Maria e Joaquim.
João propôs poliamor, Teresa, relacionamento aberto,
Raimundo, namoro entre casais, Maria, troca de trisais,
Joaquim, ménage à six e Lili(th), sexy,
o desapego a seis.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

SEM TÍTULO (VOCÊ ESTÁ NESTA NOITE.)

Você está nesta noite.
Tanotrópica.
Nenhuma luz toca
Em nenhum tópico
De seu corpo,
Nem com a maestria
Natural nem com o artifício.
Não teme, não treme:
O débito cardíaco
Está em dia.
Não é preciso luz.
Cria sua própria
Teantropia. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

VOZIO

Pela sua voz
Outras falam.
Uma bruxa canibal
Vem da Idade Média
(Da de antes e da de hoje)
Para vibrar
Com suas cordas vocais,
Comer a carne de
Algumas palavras.
Uma castratrix
Asfixia seu som
E provoca estalos.
Nulifica sílabas.
Uma radfem virtual
Entretém uma treta,
Uma teia (anti)comunicativa
Que ergue a armação
Da noite e além.
Tecnovamp,
Suga um pouco
O sangue do recém-dia
Para, em paz,
Dormir na própria
Desapropriada voz.