terça-feira, 3 de outubro de 2017

SEM TÍTULO (O CABAÇO DO BRAÇO)

O cabaço do braço
Fricciona o hímen do olho.
Úmido, ansioso.
O lacre do ouvido,
O selo da boca,
O rótulo da narina
O dildo do dedo
Não perfura, penetra, invade,
Nem o pênis da cabeça
Consegue, momentâneo,
Uma estratégia
Que os pervada.
A cabeça do pênis se perde
Em uma espécie
De labirinto de pele,
E confunde o natural
Com o artifício:
Se rende a todo agenciamento,
Mas pervaga, perdida.
Não cumpre promessas
De localização e ação.
A boca do ânus se fecha
Em um abraço sufocado.
Não se alimenta?
Não vomita?
Um início de catarata
Improvisada
No canto do olho
Adoenta o hímen,
Acaricia sua pureza,
E uma espécie não antes sentida
De orgasmo
Extravasa calado
Na calada
Da noite, cálida
- Aberta crisálida.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

(MAIS UMA) QUADRILHA

João amava Teresa que amava João e Raimundo
que amava João e Maria que amava João e Joaquim que amava [Lili
que amava João, Teresa, Raimundo, Maria e Joaquim.
João propôs poliamor, Teresa, relacionamento aberto,
Raimundo, namoro entre casais, Maria, troca de trisais,
Joaquim, ménage à six e Lili(th), sexy,
o desapego a seis.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

SEM TÍTULO (VOCÊ ESTÁ NESTA NOITE.)

Você está nesta noite.
Tanotrópica.
Nenhuma luz toca
Em nenhum tópico
De seu corpo,
Nem com a maestria
Natural nem com o artifício.
Não teme, não treme:
O débito cardíaco
Está em dia.
Não é preciso luz.
Cria sua própria
Teantropia. 

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

VOZIO

Pela sua voz
Outras falam.
Uma bruxa canibal
Vem da Idade Média
(Da de antes e da de hoje)
Para vibrar
Com suas cordas vocais,
Comer a carne de
Algumas palavras.
Uma castratrix
Asfixia seu som
E provoca estalos.
Nulifica sílabas.
Uma radfem virtual
Entretém uma treta,
Uma teia (anti)comunicativa
Que ergue a armação
Da noite e além.
Tecnovamp,
Suga um pouco
O sangue do recém-dia
Para, em paz,
Dormir na própria
Desapropriada voz. 

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

SEM TÍTULO (UM TOQUE DE GOUACHE,)

Um toque de gouache,
Gauche – desvio de cor
Que coloriu
Algum desavisado branco,
Já antes de branco colorido.
Não se sabe se de gáudio
O desvio se aventura,
Ou se porventura de rebeldia,
Deslize de um dia
Sem sal ou saldo
De alegria.
Da beleza ou do horror,
Da dor ou do prazer,
O toque criou
(Se cria)
O rumo estranho,
Sempre um rumo
Onde há
O que não havia.    

domingo, 3 de setembro de 2017

SEM TÍTULO (BORBOLETAS BÊBADAS)

Borboletas bêbadas
Roçam os indícios da lua
Que sua íris envolve,
Embriaga.
Uma luminescência espaneja
O gouache de uma cor
Que escapou de uma asa
E se perdeu no ar,
Se misturou
Com outras cores do ar.
Há uma incessante combinação
No ar...
Agora noir. 

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

PLENUGEM

A pele morcega
Envolve a pisciana escama,
Que esconde a película,
Himeneia película
De nenhuma pele conhecida.
A pele serpentina,
A tarantulina penugem,
A carapaça rino
E a pele de seda
Cedendo ao meu toque
De alterpele - a mesma.
Xenopeles - as mesmas
- Terráqueas,
Desconhecidas,
Encapsulando
A couraça do poema.
Penugem, pele, salsugem
E o céu:
Asas plenas – de planugem.
Peles de seda,
E as ensanguadas,
Todas alter
Em outras alter
- As mesmas;
Confusas, múltiplas,
Compactadas.
Pele do mundo
- Todas, altertodas,
Nenhuma, as mesmas.
Dormem, sonham, tocam, vivem
As peles, pelas peles.
A seda, o mundo
E a pele sensual das lesmas.