terça-feira, 5 de junho de 2012

ODISSÉIA


Como os padres solícitos
De boca aberta aos leprosários,
Minhas papilas piedosas,
Que desconhecem lençóis freáticos,
Confundem nascente e foz
Onde sereias dependuradas
Se afogam a plena voz
Do canto da úvula.
Nem perante Cila se vacila:
Nem perante o bacilo
- Odisseu e os seus são um só eu,
Um bêbado polifemeu, não de uva,
Atrás de uma Penélope
Travestida por circense Circe
Com o encanto de um styx
De mão dupla
Mas que de palatina ânfora se destila.

Um comentário:

jose vitor lemes disse...

Conheço pouco sobre contos e mitos, mas gostei da poesia, gostei da formação em que foi construída.
Li abaixo outras escritas, confesso: tua forma e estilo são bem superiores ao que eu consigo como inspiração...
Muito bom!