Pobres imortais!...
Os deuses não sentem o prazer
Da vida passar.
A volúpia da decomposição
Pressentida no corpo que,
São, observa, mesmo em pranto,
O outro (é o outro que nos revela a morte)
Eufemismado por flores
No sepulcro.
Eufemismado em aspecto, odor, comportamento
(Não ir ao supermercado).
Este pranto, a volúpia no avesso,
Sonha incorporar ao solo,
Pelo sal,
O corpo vertical.
Os deuses não despertam o prazer
Do prenúncio do fim
Após orgasmo -
Abraço fundo com mistério
Rebuscado.
Os deuses não intuem o prazer horizontal.
Não quero perenizar esta consciência intermitente,
Este engenho sutil, esta volúpia.
Não.
Eu quero morrer!...
terça-feira, 22 de junho de 2010
domingo, 13 de junho de 2010
sábado, 29 de maio de 2010
FATALE
Salomé
- A que morou
No coração
De Moreau -,
Me leva
A cabeça,
Em rútila bandeja,
Para onde quiser.
Vaga com ela,
Prisca odalisca,
Em ponta de pé.
A belisca
Com um beijo,
Espectro do desejo;
A mima
No seio do seu tédio -
Sonho nédio de langor
Que laureia
Uma estranha sorridente
Lua algescendente.
Então nela pisa,
E curvando o corpo
Trejeita um ponto de interrogação,
Que é a resposta
Da minha intenção.
- A que morou
No coração
De Moreau -,
Me leva
A cabeça,
Em rútila bandeja,
Para onde quiser.
Vaga com ela,
Prisca odalisca,
Em ponta de pé.
A belisca
Com um beijo,
Espectro do desejo;
A mima
No seio do seu tédio -
Sonho nédio de langor
Que laureia
Uma estranha sorridente
Lua algescendente.
Então nela pisa,
E curvando o corpo
Trejeita um ponto de interrogação,
Que é a resposta
Da minha intenção.
domingo, 14 de março de 2010
Cataventos verdes
Resistem a beber água,
A não ser por baixo.
A flexidez de seus troncos
Preenchem o vazio
De areias sem pegadas.
Mas suas sombras, nas areias,
Não iludem a solidão.
Às vezes tudo é tão azul...
E a distância mal revela alguns de seus pedaços.
O sol se centra
E, sentado,
Estende manto dourado
- Essa riqueza do sol de pôr ouro nas coisas -
Onde tudo deixa oscilante:
Sóis, embarcações...
A luz no centro, sempre.
Ao horizonte rente.
As areias, sem pegadas.
O homem,
Quando,
Sempre a vogar.
Ou então, encalhado,
Quando
Não no mar.
[Poema inspirado em elementos do universo pictórico do pintor, desenhista, escritor e fotógrafo Ulysses Farias].
Resistem a beber água,
A não ser por baixo.
A flexidez de seus troncos
Preenchem o vazio
De areias sem pegadas.
Mas suas sombras, nas areias,
Não iludem a solidão.
Às vezes tudo é tão azul...
E a distância mal revela alguns de seus pedaços.
O sol se centra
E, sentado,
Estende manto dourado
- Essa riqueza do sol de pôr ouro nas coisas -
Onde tudo deixa oscilante:
Sóis, embarcações...
A luz no centro, sempre.
Ao horizonte rente.
As areias, sem pegadas.
O homem,
Quando,
Sempre a vogar.
Ou então, encalhado,
Quando
Não no mar.
[Poema inspirado em elementos do universo pictórico do pintor, desenhista, escritor e fotógrafo Ulysses Farias].
quarta-feira, 10 de março de 2010
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