Sob o véu do cigarro,
Imagens
De vagas bundas.
As questões ambientais são prementes na atualidade, haja vista as discussões e acordos de âmbito internacional que objetivam metas de redução na emissão de gases-estufa na atmosfera e a criação de formas de desenvolvimento sustentável; sem omitir o importante papel das Organizações não-Governamentais (ONGs) que têm eclodido assim que os problemas ambientais começaram a recrudescer.
Como creio que toda obra de arte está comprometida, de um modo ou de outro, ainda que o mais complexo, com o contexto histórico-social onde ela se forma (ainda que seja para negá-lo), penso na maneira mais artisticamente digna e eficaz da poesia abraçar em sua formação a consciência ambiental. “Conceitos sociais não devem ser trazidos de fora às formações líricas, mas ser hauridos da rigorosa intuição delas mesmas.” (ADORNO, 1980, p. 194). É neste sentido que penso a expressão “maneira mais artisticamente digna e eficaz” da poesia se comprometer com o contexto histórico-social.
Assim posto, lembro que os ambientalistas muito simpatizam com o pensamento rousseauísta. Pertinente, afinal o promeneur solitaire alimentou uma visão benéfica da natureza ao teorizar sobre cultura e sociedade. Só não sei se não seria muito ledo conservar no imaginário a imagem de um bon sauvage no interior de uma sociedade tecnocrata que não permite mais nenhum retorno genuíno às condições de vivência físico-emocionais mais próximas ao natural. Todavia, o desenvolvimento e a realização através de procedimentos estéticos da consciência de um sentimento de ligação íntima, de uma disposição afetiva especial entre o eu e o não-eu, isto é, a exterioridade, a natureza, é uma das maiores heranças rousseauístas adotadas pelos períodos de modernidade. É preciso resgatar Rousseau neste sentido, exercitar esta realização em direção à esta consciência ambiental contemporânea que vivenciamos. E insisto em frisar que penso não em uma obra de arte guiada por conceitos raptados, transportados à revelia, mas antes em uma obra de arte que, de modo legitimamente artístico, permita intuir elementos culturais atuais de seus procedimentos específicos, quais sejam aqueles que mais intimamente descobrem o “ser” da poesia – aqueles que relacionam de modo visceral elementos que culturalmente, tradicionalmente, estão em situação de oposição. Destarte, a maneira mais artisticamente digna e eficaz da poesia abraçar em sua formação a consciência ambiental é resgatar, no interior dos procedimentos poéticos mais específicos, aquela disposição afetiva especial primeiramente desenvolvida por Rousseau, e agora direcionada contemporaneamente. Óbvio que, para isto, a consciência vigilante, a substancialidade do cogito, a experiência do principium individuationes não pode ser anulada ou incapacitada. Ao contrário. É no rigor da consciência vigilante que essa disposição afetiva se atualiza. E desta forma a poesia assume seu modo específico de resistir às direções prejudiciais do progresso insustentável e acumula mais provas de que a resistência da poesia é uma possibilidade histórica.
Belo e bélico:
Belígero,
Ante de meu nariz
As catotas de ouro,
Um besouro
Cornígero
(Das costas sosígenas?)
Rebrilha
Na crina
Da vagina,
Flamígero
À luz da lamparina.
A cornuta cornamusa
Afina
Para não cantar
Musa corna
Nem cabeleira assassina.
A musa se anima.
Belicorno,
Ele faz cara de rima.
Se não estivesse
Tão próximo ao rego,
Eu beijaria
Um gigantesco clítoris negro.
Bar. Bebem um pouco. Olham-se um pouco. Esboçam um sorriso, logo sustido. Aproximam-se. Esboçam um sorriso, logo sustido. Conversam um pouco. Bebem um pouco. Esboçam alguns sorrisos, logo sustidos. Pagam a conta. Vão para casa. Abre a porta. Fecha a porta. Esboçam um sorriso, logo sustido. Beijam-se. Vão para a cama. Despem-se. Aproximam-se um pouco. Aproximam-se mais um pouco. Beijam-se. Senta na cama. Permanece em pé. Masturba o pênis. Suga o pênis. Suga o saco escrotal. Lambe o saco escrotal. Suga o pênis. Estendem-se na cama. Lambe a vagina. Penetra o dedo na vagina. Lambe a vagina. Penetra a vagina. Posição 1: papai e mamãe. Posição 2: de quatro. Posição 3: de lado. Posição 4: ... Posição 2: de quatro. Chupa o dedo. Penetra o dedo no ânus. Penetra o ânus. Esboça um gemido de dor, logo sustido. Senta na cama. Fica em pé. Ejacula na boca. Esboça sinal de esforço, logo sustido. Engole. Vão ao banheiro. Lavam-se. Vão até a porta. Abre a porta. Vai me ligar? Acho melhor não... Esboça um sorriso, logo sustido. Estava brincando!... Esboçam um sorriso, logo sustido. Fecha a porta.