segunda-feira, 1 de outubro de 2012


Desde o exórdio
Desta mixórdia
Espiritual, quis
Ser o exorcista,
O fiel padre
Que, na espera
Das mais aretinosas
Poses não cedesse
À tentação
De casanovismo
Como no caso das irmãs
Também possuídas.
Fiel padre,
Papa-hóstia ideal...
Mas que no final,
Cansado do vômito
E dos giros do pescoço
A transformasse,
Sem de Satã
Desejar ser um dos corifeus,
Em pelo menos
Uma putinha de Deus.

terça-feira, 25 de setembro de 2012


Somente uma espécie de estupro salvaria
Desta estrela que infecciona seu olho.
Em uma mulher,
Consigo prever a textura
Das fezes conforme
O bater do dedo no copo.
Talvez o amor seja isto.
Provavelmente não...
O que fazer com esta estrela
Que infecciona seu olho?
Se permitisse uma violência
Que somente eu sei praticar,
Seria proveitoso para ambos.
Mas é tarde; seu olho
Já possui a beleza estúpida
De uma criança disforme
Imprecando contra Deus.
É tarde, é tarde...
Não posso com uma beleza estúpida
Na sublimação da madrugada.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012


Meu fluido desperta os mortos do desejo
Como miasmas perseguidores,
Atinge o órgão de granito
Das estátuas gregas, saliva em seus pés,
Corrói o que o tempo já corrói.
Odor, sabor, textura:
Meu fluido (se) altera tudo
No percurso...
Seu alvo é o mundo.
Sua corrosão fecunda,
Presentifica, progride,
Delineia, torna instantâneo.
É um espirro em espiral, uma vertigem,
Redemoinho, maremoto,
Hidra líquida que solidifica,
Origem em estado de amnésia,
Mistério totalizante,
Desmemoriado, que origina
Tudo desde sua origem
Monocausal que perde a causa.
A causa que desliza como cauda...
Lúdica criação
Em sombras lúcidas
Como (auto)bullying de fantasmas
Que doa sentido aos fenômenos.
Estátuas gregas, automóveis,
Humanos em diálogo,
Animais em instinto,
O que eu falo, o que eu sinto:
A tísica da metafísica,
A origem (em crise) que esparge a própria meta
Na mente humana
E em qualquer engrenagem.
O fluido corrói, fecunda, vivifica
E ao mesmo tempo mata
Para procurar a origem mais profunda.
Tudo é sagrado quando há a busca,
Pois tudo é sagrado quando o homem (se) funda.   

sexta-feira, 20 de julho de 2012


A vida é teatro
Que alguns dizem de máquina.
Eu digo de carne,
Teratológico, com o vício visceral
Da máscara exposed.
Mas é verdade que a máquina expõe.
Suponha que ouse
Uma musa de Chernobyl,
Repasto de câncer
Que nenhum médico viu,
Que o charme monstruoso
Do elefante assumiu,
Clitóris duplo com pênis no meio,
Infecundo, arabesco mal feito
No bico do único
Ou do terceiro seio,
Selo de garantia
De que Deus também é grosseiro
E de que no meio do belo
Sempre medra o que é feio,
Ânus com boca e olho saltado,
Nariz deslocado, membro com multiplicidade,
Alguém dirá o corpo legítimo
Da pós-modernidade;
Ausência de órgãos, caos errante
(Talvez eu, anacrônico, dissesse:
Tristeza hiante),
A musa de Chernobyl,
Na seção eating shit,
Seria alcunhada Chernobitch.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Soco de polícia fere tanto quanto de vândalo ou mais, por causa do peso da autoridade. Um playboy (inconscientemente) lautreamônico pensou que fosse Deus na sarjeta: defecou nele como defeca na companheira. Se os cabelos deste deus cair é por causa de doença muito agressiva. Se adquirirem vida é que uma espécie de poesia idealizada das ruas assumiu as rédeas de uma existência onde se fumam as eternas pedras no meio do caminho. Mas a poesia se manifestou na forma do amor. Prostituta ronin em busca de cafetão. Doença venérea em troca de café com pão. Enfim, o amor venceu. A doença foi bondosa com ela, ele e companheiros seus. Foi bondosa com que morreu. Não aproveitaram as oportunidades que a vida lhes deu: soco, fezes e vírus. Cada um escolhe seu caminho. Escolheram. A culpa é sempre de quem escolheu. Que alguma espécie de mídia ou escritura os transforme em mártires e depois os mandem para a mais profunda das valas do anonimato. A doença (?) os matou. E agora eu mato?!

terça-feira, 5 de junho de 2012

ODISSÉIA


Como os padres solícitos
De boca aberta aos leprosários,
Minhas papilas piedosas,
Que desconhecem lençóis freáticos,
Confundem nascente e foz
Onde sereias dependuradas
Se afogam a plena voz
Do canto da úvula.
Nem perante Cila se vacila:
Nem perante o bacilo
- Odisseu e os seus são um só eu,
Um bêbado polifemeu, não de uva,
Atrás de uma Penélope
Travestida por circense Circe
Com o encanto de um styx
De mão dupla
Mas que de palatina ânfora se destila.

sábado, 2 de junho de 2012

ESSENCIALISTA


Deus,
Ceda
Ao desejo
Que me deu
Ao eu ver
O corpo de seda
Que adeja,
O poder
De extrair
Da poesia
Que ao derredor
Volteja
A ignara,
Porém benfazeja,
Tara
(Peso de bandeja)
Da matéria
Rara
Da introspecção
De algum mistério
Que não vá
Para a vala.
Que eu, então,
Receba, Deus,
A extrema-unção.