IN NOMINE PATRIS
Nel mezzo del cammin de minha vida,
Em minha selva oscura, clarificou
Aquela Castidade enorme
Que muitas vezes via como tirano disforme.
Ele - sacro enigma -, como mulher,
Permitiu meu cósmico desejo
Alimentar todo o ensejo
De atingi-lo em luz nos cabelos,
Nos seios, no quadril
Como vadia que não cobrasse
Exceto esse cálice de excesso
- Abscesso de fé, abismo ao revés -,
Essa quimera, essa semente,
Esse cuspe cuspido como lágrima de crente
- Vita nuova, plêiade mundana,
Paraíso terrestre.
ET FILII
Orquídeas roxas desabrochando
Com forte perfume rubescente
De indigente.
Calafrio de beleza nos cabelos de Madalena:
Óleo raro de paixão.
Coberta de sangue, a fé é mais bela.
ET SPIRITUS SANCTI
Em dia de caça
É melhor o antigo estilingue.
Ferir e cuidar
Para que voe novamente.
domingo, 1 de agosto de 2010
segunda-feira, 26 de julho de 2010
ESCARIFICAÇÃO
Sem pele,
A carne elege
O vermelho
Como estética.
Ave sangüínea,
Que no ímpeto
Do vôo
Se esforça
Com irritação.
(Voar é mesmo
Desejo à flor da pele.
Não, abaixo dela).
O canto
É uma infecção.
A carne elege
O vermelho
Como estética.
Ave sangüínea,
Que no ímpeto
Do vôo
Se esforça
Com irritação.
(Voar é mesmo
Desejo à flor da pele.
Não, abaixo dela).
O canto
É uma infecção.
quinta-feira, 22 de julho de 2010
sexta-feira, 16 de julho de 2010
NULIFICAÇÃO
I
Tudo o que era caduco, alquebrado –
Brinquedo quebrado, espelho partido –
Já anunciava a aventura da cesura,
Suturada na carne, mas como ferida sem cura.
Tudo que ausência poderia, soltura,
Onde a agrura se rende ao prazer do que desprende;
Tudo o que, assente, anula.
Sonho de menino: eunuco.
Com amigo de ocasião, aquilo ceou
O que um do outro roubou.
O amigo, de desejo transtornado,
Mordeu também o pescoço, já decepado.
Não foi para o Paraíso: as asas cortaria.
E no Inferno, quantos membros ainda havia?
II
Co mo es cre ver s em o s bra ços ?
III
A beleza se encontra
Nas mulheres sem braços.
Ao vê-las: libação.
Braços de Vênus: onde estão?
Tudo o que era caduco, alquebrado –
Brinquedo quebrado, espelho partido –
Já anunciava a aventura da cesura,
Suturada na carne, mas como ferida sem cura.
Tudo que ausência poderia, soltura,
Onde a agrura se rende ao prazer do que desprende;
Tudo o que, assente, anula.
Sonho de menino: eunuco.
Com amigo de ocasião, aquilo ceou
O que um do outro roubou.
O amigo, de desejo transtornado,
Mordeu também o pescoço, já decepado.
Não foi para o Paraíso: as asas cortaria.
E no Inferno, quantos membros ainda havia?
II
Co mo es cre ver s em o s bra ços ?
III
A beleza se encontra
Nas mulheres sem braços.
Ao vê-las: libação.
Braços de Vênus: onde estão?
terça-feira, 13 de julho de 2010
ESTADO DE GRAÇA
Casaram-se há cinqüenta anos. Há cinqüenta anos se torturam, mutilam-se, aniquilam-se física e moralmente. Após os conflitos, às vezes se perdia um dedo, uma orelha, um dente. Ela não tinha um olho, mas permanecia com seus belos traços abaixo das chamativas cicatrizes, mesmo na velhice. A humilhação não ocorria somente no momento agradável do sexo, mas igualmente no momento desagradável das relações sociais e cotidianamente familiares. Assassinaram o filho antes de nascer. (Talvez para não tê-lo assassinado depois?). Ele claudicava, mas a memória de sua boa postura se esforçava para equilibrar a antiga elegância e leveza. Tinham traumas, síndromes e fobias. Um pouco antes de morrer (agonizaram em mesmos dia e hora), abraçaram-se, choraram, amaram intensamente, como sempre, e rogaram a clemência do Senhor. Ela disse, entre lágrimas, que foi feliz, mas foi triste, pois queria ter sido prostituta ou freira. Ele disse, entre lágrimas, alguma outra coisa sem importância, ou melhor, de toda importância, pois estavam em estado de graça.
terça-feira, 22 de junho de 2010
Lavrar a palavra
Para que ela lavre
A insistência de penetrar a existência;
Sendo que, antes,
Já palmilhando fresta, brecha, intermitência
Logrou a máscara produto
Das matérias que, agora,
Cumpre ou deseja retomar como solúveis,
Ainda que por força de autonomia;
Esforça a passagem
Como a deixar nostalgia do branco
Em uma condição de presença arredia,
Rememorando o rastro devassado
Mas sem de Ariadne alguma previdência
Haver indiciado.
Então labirinto,
Taurino obstáculo anuncia
Que heroísmo se faça premente.
Mas anuncia, somente.
Para que ela lavre
A insistência de penetrar a existência;
Sendo que, antes,
Já palmilhando fresta, brecha, intermitência
Logrou a máscara produto
Das matérias que, agora,
Cumpre ou deseja retomar como solúveis,
Ainda que por força de autonomia;
Esforça a passagem
Como a deixar nostalgia do branco
Em uma condição de presença arredia,
Rememorando o rastro devassado
Mas sem de Ariadne alguma previdência
Haver indiciado.
Então labirinto,
Taurino obstáculo anuncia
Que heroísmo se faça premente.
Mas anuncia, somente.
GORGÔNEA
Abstrusa musa
- Musa e medo.
Medo que usa
A pedra como meio.
Que recusa qualquer enleio,
Ainda que multiplicado pecado sugira
A ofídica figura.
Mas toda ira já não me causa receio.
Receio do bordão
Da pedra no seio,
Ou melhor,
No coração.
- Musa e medo.
Medo que usa
A pedra como meio.
Que recusa qualquer enleio,
Ainda que multiplicado pecado sugira
A ofídica figura.
Mas toda ira já não me causa receio.
Receio do bordão
Da pedra no seio,
Ou melhor,
No coração.
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