quarta-feira, 10 de março de 2010

Um bicho do mato
Ligeiramente adestrado
Que gosta de ler Baudelaire;
E que, por esculacho,
Um dia fez pétalas
Somente dizerem mal-me-quer.

ME RESPOUND

Após dizer “diluidores”,
O mundo inteiro se diluiu?

UM DESBUNDE

Não me sinto mal em não poder ler a Odisséia em grego.
Qualquer coisa, respondo:
- Sou feliz: posso ejacular no mar.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Era uma vez
Uma vez
Em que uma vez
Não era o suficiente.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Sabe a sal
O seio:
Senhorio do solo,
Que de semente em semente,
Sente
Que assume o poder.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

EXPECTATIVA

Amei a Celeste como se ela fosse o céu

Amei a Margarida como se ela fosse uma flor

Amei a Éster como se ela fosse uma estrela

Não posso amar a Glória, e talvez nunca poderei

A Jasmim se perfumava para pensar em mim
Mas suas intenções murcharam
E eu, podado, caí numa melancolia sem fim

(Só me resta, agora, a resposta da Vitória...)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

SEMINAL

Palavra é início.
É sêmen.
Brota as coisas
Que, nascituras,
Carregam o calor uterino
Que se confunde
Com o calor da garganta.
Não é sordidez:
Que palavra
É sêmen na garganta;
E silêncio, espermicida.
Mas silêncio,
Cio do som,
Sonha coisas inauditas,
Que palavra,
Com nitidez maior,
Cultiva.